domingo, 2 de abril de 2017

Uma viagem ao oeste da Irlanda

No domingo passado, a agência Time2 Travel organizou um passeio para Cliffs of Moher e Galway. Para quem não conhece, o Cliffs of Moher é um dos cartões postais da Irlanda. Os penhascos gigantescos ficam há um pouco mais de 250km de Dublin e é um dos lugares obrigatórios que todo intercambista tem que visitar.


Tivemos muita sorte, pois depois de alguns dias de chuva, o final de semana da nossa viagem o tempo abriu maravilhosamente e o sol deu as caras. A paisagem do interior da Irlanda é muito maravilhosa. Tivemos um guia contando um pouco mais da história dos lugares a medida que íamos viajando. O motorista do ônibus (basicamente um co-guia) também nos disse muitas anedotas dessa região, a qual ele diz orgulhosamente ser o lugar mais lindo da Irlanda.

Além da vista de cima do Cliffs of Moher, fizemos um passeio de barco e tivemos noção do tamanho das paredes de pedra quando chegamos mais perto delas... Depois dos Cliffs seguimos para Galway. No meio do nosso trajeto ainda paramos no chamado The Baby Cliffs, que é uma encosta um pouco menor de altura em relação ao Cliffs, mas é igualmente lindo. Em Galway ficamos pouco tempo, mas já deu para perceber que essa cidade, que é a terceira maior da ilha da Esmeralda, de 100 mil habitantes tem o charme do interior: pessoal todo reunido nas praças.


Eu tentei filmar um pouco da paisagem durante toda a viagem e finalmente consegui um tempinho para editar o vídeo. Espero que gostem!


domingo, 19 de março de 2017

5 coisas que você precisa fazer durante o planejamento do intercâmbio

Luzes do Rio Liffey
Mudança é algo muito comum na minha vida. Às vezes, acho que o meu corpo anseia por mudança de tão acostumado que ficou. Se você me conhece, ou pelo menos leu minha bio neste blog, sabe que eu já morei em muitas cidades no Brasil. Não hesitei em tomar a decisão fazer um intercâmbio, mas também não quer dizer que foi fácil. Foi necessário muito planejamento, desapego material e, o mais importante, juntar muito dinheiro. Do momento em que decidi fazer o intercâmbio, até o momento em que pisei na Irlanda foram longos meses.

Guarde dinheiro. Muito dinheiro. Claro que vai depender da duração que você quer fazer o intercâmbio, quanto mais longa a duração, maior será o investimento monetário. Não existe uma receita de bolo dizendo o quanto você vai gastar em cada aspecto do seu intercâmbio, mas podmeos estimar. Eu, por exemplo, eu gastei por volta de 30 mil reais.

Seus gastos, em suma, serão;


1. Curso de Inglês: dificilmente encontrará um curso de 8 meses na Irlanda por menos de 8 ou 9 mil reais. Vai depender muito do câmbio Real vs. Euro no momento em que fechar o curso. Dentro do pacote do curso, normalmente, já estarão inclusos alguns serviços oferecidos pela agência tais como acomodação temporária, transporte do aeroporto até a acomodação, material didático, etc.

O valor do curso também vai depender muito da sua escola. O que isso quer dizer? Assim como no Brasil, há escolas para todos os bolsos. Existem as mais baratas e algumas que tem valores 3x maiores. Quer dizer que as mais baratas são piores? Nem sempre. Depende muito para quem você está perguntando. Algumas escolas tem estruturas melhores que outras. Mas, no final das contas, vai muito do empenho do aluno em aprender inglês.

A minha escolha foi por uma escola intermediária, não era a mais barata e nem de longe a mais cara. Em outro post falarei melhor sobre os pontos que levei em consideração na hora de escolher a escola.

2. Passagens aéreas: sem elas não conseguimos ir a lugar algum (RISOS). Não tem como saber quanto que sairá uma passagem aérea até o momento de comprá-la. Pode ser 2 mil reais, pode ser 3. Depende muito da época. Algumas agências de intercambio oferecem esse suporte/serviço, e por vezes é um bom negócio (meu caso). É importante ter em mente que é necessário comprar ida e volta. Na maioria dos países, há o risco de ser barrado pela imigração do aeroporto, caso o viajante não tenha a passagem de volta já emitida.

3. Seguro saúde: isso é o tipo de coisa que a gente paga torcendo para não precisar usar. O seguro saúde é muito importante para qualquer um que planeja passar um tempo fora do país. Acredito que deve ser muito horrível estar doente (desde uma dor de barriga até algo mais sério), longe da sua mãe de todo mundo que você conhece e ainda não ter um tratamento eficiente no hospital. Um seguro com cobertura para todo o tempo da sua estadia no exterior vai variar entre 1 mil e 2 mil reais. Depende da abrangência do mesmo.

4. Dinheiro para se manter: todo mundo precisa de dinheiro para se sustentar. O governo irlandês exige 3 mil euros para todos que entram no país para estudar 8 meses. Esses 3 mil euros precisam ser comprovadamente seus. Existem várias formas de comprovar essa renda (entrarei em detalhes em outro post). O importante é, ao planejar seu intercâmbio, estar ciente que precisará juntar uma boa grana para conseguir pagar as contas nos primeiros meses até achar um trabalho.

Centro de Dublin

Pesquise muito sobre o seu destino. É de suma importância traçar o seu perfil. O que gosta de fazer? Que tipo de clima prefere, frio ou calor? Prefere conhecer museus ou passear na praia? Pode parecer besteira, mas passar 8 meses ou 1 ano em um lugar que não está acostumado pode ser um pesadelo. Aqui na Irlanda faz frio, venta e chove muito. Então ao decidir vir para cá, o intercambista tem que estar ciente de que o sol e calor serão lembranças distantes (haha, brinks, às vezes faz sol entre uma garoa e outra).

Como eu disse no meu post anterior, até cheguei a cogitar ir para Nova Zelândia, por exemplo. Mas, ao traçar o meu perfil, notei que Dublin poderia me proporcionar mais aventuras das quais me identifico. Tudo depende de que tipo de experiência você deseja, no final das contas.

Além disso, é relevante que haja muita pesquisa sobre como é a vida no destino escolhido. Como é o transporte público? Onde ficam as escolas de inglês? Quanto custa para se manter lá? Quanto é o aluguel de uma casa ou um quarto? Quanto mais informações você conseguir coletar, mais preparado estará.

Boas fontes de pesquisa para conhecer um pouco mais sobre como é a vida na Irlanda são o site e-dublin, o canal do Marião na Europa e os grupos de classificados no facebook. Este último, use com um pouco de discernimento, afinal não é novidade pessoas postando bobabens no facebook.

Reflita sobre os seus objetivos. Por que, afinal, alguém atravessa o mundo para fazer um intercâmbio? Aprender ou aperfeiçoar o inglês? O inglês é para uso no trabalho? Ou o inglês é só um pretexto para sair do Brasil? Quer vir e tentar ficar aqui para sempre? Quer trampar e juntar grana? Quanto mais focado em um objetivo o intercambista estiver, menores as chances de se decepcionar.

Para quem é da classe média, o dinheiro que você gasta com um intercâmbio é muito grande. Quem paga os próprios boletos sabe o quanto é difícil juntar esse tanto de grana. Então, se tens um objetivo claro, mais fácil será escolher para onde ir e saber o que é preciso para alcançá-lo.

Escolha bem a sua agência de intercâmbio. Procure pesquisar quais são as empresas do ramo no mercado. Entre nos Reclame Aqui da vida; leia os reviews de outras pessoas no facebook; entre em contato com essas pessoas; Afinal, quando investimos nosso dinheiro, gostaríamos de evitar possiveis aborrecimentos... pesquise, pergunte e desconfie!

Em suma, não seja trouxa. Não acredite em tudo o que te falam sem antes de ter a mesma confirmação em outras fontes de informação. Eu revirei a internet antes de fechar com a minha agência. Pesquisei a fundo a veracidade do que estava sendo me passado. Fiz tudo isso e fui premiada com uma ótima agência, em outro momento falarei mais sobre ela.

Vista ensolarada do Spire.

Programe-se e desapegue-se. Se você fechou o intercâmbio com uma boa agência, ela te dará toda assistência e informações necessárias para preparar sua viagem. O que tem que ser antecipado, o que é recomendado e etc.

Eu tive 6 meses para me organizar e me programar. Como já tinha uma vida estabelecida no Brasil, tive que avisar aos meus empregadores dos meus planos, assim evitando estresse e surpresas no trabalho. Também me programei para sair do meu apartamento alugado perto do vencimento do contrato para evitar pagar alguma multa.

Vendi todos os móveis, eletrodomésticos e pertences que consegui me desapegar. Programei um check up geral da saúde enquanto tinha o plano de saúde empresarial. Fechei minhas contas correntes nos bancos, fiquei só com uma poupança. Cancelei assinaturas de serviços e cartões de créditos. Tomei todas vacinas que talvez poderia precisar (febre amarela é uma delas, apesar de não ser exigida para entrar na Irlanda). Deixei uma procuração de plenos poderes para alguém me representar no Brasil, caso haja necessidade. Conversei com um contador para fazer a declaração do meu imposto de renda. Enfim, tentei ao máximo amarrar todas as pontas e sair do Brasil com tranquilidade.

A parte do desapego acho que é a mais difícil. Muito mais o pessoal do que o material. Deixar pessoas que você gosta, sua zona de conforto, deixar o seu emprego, seus colegas, sua família. Eu tive a sorte de poder vir para a Irlanda com o meu noivo, Augusto. Isso facilita e te encoraja muito, já que sabemos sempre que teremos um ao outro. Por outro lado, nunca deixe isso te impedir de fazer um intercâmbio. Sozinho ou acompanhado, vá! Tudo é passageiro, temos que tentar fazer a melhor limonada com os limões que a vida lhe dá.

sábado, 18 de março de 2017

'O que você vai fazer na Irlanda?'


Toda vez que eu falava para alguém que estava indo morar na Irlanda, o questionamento mais comum das pessoas era o que eu ia vir fazer na Irlanda. Depois de explicar que estaria indo para estudar inglês, as pessoas ainda ficavam desconfiadas... mas o que diabos tem lá? Por que, entre tantos países que falam inglês, você escolheu justamente a Irlanda?

A resposta para essa pergunta é um pouco complexa e, ao escolher meu destino, levei muitas coisas em consideração. Se você nunca entrou numa agência de intercâmbio, ou nunca fez um, talvez você nunca pensou muito sobre a Irlanda. Essa ilha vizinha da Grã-Bretanha é dos destinos mais visados por intercambistas brasileiros que pretendem estudar (e trabalhar!). Já somos mais de 9 mil estudando na Irlanda. 

Em outras postagens futuras pretendo elaborar melhor cada um dos pontos a seguir, mas em resumo eis o que levei em consideração:

Custo de vida

Eu queria passar um bom tempo fora do Brasil, portanto escolhi o pacote de 8 meses (6 meses estudando + 2 meses de férias). O visto de estudante, conhecido como Stamp 2, te dá permissão para estudar e trabalhar 20 horas semanais (40 horas durante os meses de férias - maio a agosto e dezembro a janeiro). Isso significa que podemos estudar um período (manhã ou tarde) e trabalhar no outro. Esse tipo de visto estudantil, que lhe concede a permissão de trabalhar part-time, não é tão comum em outros países de língua inglesa.

O custo de vida na capital, Dublin, é caro e, em alguns aspectos, equivale ao custo de vida em São Paulo, por exemplo. Contudo, ainda assim, entre todas as opções de países anglo-saxões (Estados Unidos, Inglaterra, Australia etc), a capital irlandesa é uma das mais baratas. E o fato de você poder trabalhar meio período ajuda a te manter durante os meses que passará estudando.

Trinity College

Posição geográfica

Outro destino muito comum para intercambistas é a Nova Zelândia e Austrália. No começo das cotações nas agências, eu até considerei ir para um desses dois. Entretanto, logo risquei-os da minha lista pela questão geográfica: a Irlanda fica na Europa.

Para quem é classe média como eu, que nunca havia saído da América do Sul, fazer intercâmbio é uma oportunidade única para viajar. Assim, você pode guardar um pouco de dinheiro conseguindo viajar para outros países do continente pagando barato (beijos, Ryanair).

O aspecto cultural e o estilo de vida irlandês

De invasões vikings à fome, do domínio britânico à reconstrução das cidades, o povo irlandês tem uma história recheada de sofrimento e superação. As feridas e cicatrizes dessa dura história estão distribuídas em dezenas de homenagens e museus. A arquitetura secular da cidade se mistura com os empreendimentos mais modernos. Caminhar por Dublin é fascinante!

O país é acolhedor, expatriados do mundo inteiro residem por aqui. É muito comum você ouvir diversas línguas sendo faladas pela cidade. Esse aspecto multi-cultural e histórico me seduziu muito na hora de optar pelo meu destino do intercâmbio. A luta por libertação e construção da sua identidade faz do irlândes um povo muito peculiar.

Euzinha no Temple Bar. Foto: Augusto Conter Filho.
Então, o que eu vim fazer na Irlanda? Eu vim ter uma experiência única de intercâmbio! Vim para estudar e trabalhar! Vim conhecer um lugar com uma história incrível e conhecer diversas nacionalidades. Vim aqui aprender mais sobre viver e se virar em outro país. Tem sido uma aventura cheia de desafios, mas nada que vale a pena vem de forma fácil!

Todas as fotos desse post são de minha autoria, exceto as que estão creditadas para outra pessoa.